Agnosticismo não é meio termo entre Ateísmo e Teísmo!

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Mensagem por Cinzu em Qua 05 Fev 2020, 16:20

Ateísmo e agnosticismo não são mutuamente excludentes.

É comum pessoas frequentemente se definirem como Agnósticas por sentirem-se desconfortáveis em utilizar o termo "ateu", devido ao fato do termo muitas vezes ser pejorativo e mal visto pela sociedade. Por vezes, há até mesmo confusão do que seja o ateísmo, no sentido estrito da palavra.

Ateísmo, resumidamente, nada mais é que a ausência de crença na existência de divindades. Ponto.

Enquanto que para o agnóstico, a razão humana é incapaz de prover fundamentos racionais suficientes para justificar tanto a afirmação de que uma divindade existe quanto a afirmação de que uma divindade não existe. Este segundo trecho destacado é fundamental para esclarecer que o ateu não necessariamente afirma que divindades não existam! Embora haja, de fato, ateus mais radicais que cheguem a esse ponto, e até poderíamos afirmar que nesse sentido estes ateus estariam de alguma forma sendo crentes (sim, crentes em uma ideia), mas não é o caso do ateísmo como um todo.

Acreditar na ausência é diferente de não acreditar na existência. O ateísmo é simplesmente a abstenção da crença devido à falta de razões para manter tal convicção, não implicando, portanto, na total negação de tal ideia ou hipótese. Cientistas frequentemente descartam hipóteses devido à falta de evidências para sustentá-las, e em alguns casos, chegam a refutar outras hipóteses. Uma hipótese descartada nem sempre é uma hipótese que foi refutada. A ideia de um deus-criador do universo é descartada até o momento pela ciência por não haver evidências suficientes que corroboram para tal suposição, o que não significa que tal ideia foi refutada e provada inválida. A ausência de evidências não é evidência da ausência.

Porém, não podemos nos esquecer também que afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias, pelo contrário, a suposição não possui relevância alguma e não passa de achismo. Neste sentido, o agnóstico simplesmente assume sua falta de conhecimento perante a questão e na maioria das vezes acaba por não manter sua crença, e mesmo sem saber, acaba por incorrer em um agnosticismo ateísta. Ou seja, ele é agnóstico e ateu!

Esta, porém, não é a única forma de agnosticismo. Podem haver também agnósticos teístas! Um agnóstico teísta acredita na existência de pelo menos uma divindade, mas diz respeito à base desta proposição como "algo desconhecido ou inerentemente incognoscível".

Um agnóstico pode acreditar apenas por fé em algum deus ou deuses, ao mesmo tempo em que admite não ter conhecimento sobre a existência do(s) mesmo(s), podendo ser teísta se acreditar nos conceitos de deuses como descritos por alguma religião, ou deísta se for algo diferente desses moldes.

Um agnóstico pode também através de experiência própria acreditar no sobrenatural, porém, sem poder prová-lo, já que é impossível provar uma experiência pessoal desse tipo

Contrariamente ao agnóstico teísta, o agnóstico ateísta é alguém que assume não ter conhecimento da existência de deuses e não tem fé na existência de qualquer um.

Há, porém, diversas outras vertentes do agnosticismo, que segundo a wikipedia, podem ser:

Agnosticismo forte - É o estilo de agnosticismo adequado às dúvidas que não podem ser respondidas, independentemente de quantas provas coletemos, uma vez que a própria ideia de “prova” não pode ser aplicada. A dúvida existe em uma dimensão além da que as provas podem alcançar. Agnósticos fortes quanto à existência de divindades defendem, portanto, a ideia de que a compreensão ou conhecimento sobre deuses ou o sobrenatural se encontra - e sempre se encontrará - completamente fora das possibilidades humanas. Agnósticos permanentes por princípio não manifestam uma opinião pessoal quanto à existência ou não do sobrenatural.

Agnosticismo empírico - A ideia de que a compreensão e conhecimento do divino ou sobrenatural não é, até ao momento, possível. Admite a possibilidade do aparecimento de novas evidências e provas sobre o assunto. Um agnóstico empírico diria: "Eu não sei. Você sabe?".

Agnosticismo apático - a ideia de que, apesar da impossibilidade de provar a existência ou inexistência de deuses ou sobrenatural, a existência destes não teria qualquer influência negativa ou positiva na vida das pessoas, na Terra ou no Universo em geral. Um agnóstico Apático diria "Eu não sei, e essa pergunta não é interessante".

Ignosticismo - Embora se questione a compatibilidade deste grupo com o agnosticismo ou ateísmo, há quem o considere como um grupo agnóstico. Esse grupo baseia-se no fato de que primeiramente é preciso definir Deus, para apenas posteriormente discutir sua existência. Para cada definição de Deus, pode haver uma discussão diferente e diferentes grupos de ateus, teístas e agnósticos referentes àquela definição particular. Um ignóstico diria "Não sei. O que você considera "Deus"?".

Agnosticismo modelar — Ideia de que questões metafísicas e/ou filosóficas não podem ser verificadas nem validadas, mas que um modelo maleável pode ser criado com base no pensamento racional. Esta vertente agnóstica não se dedica à questão da existência ou não de divindades. Um agnóstico modelar diria "Eu não sei, mas podemos pensar a respeito disso".

Quando criamos rótulos, é comum existirem confusões quanto ao posicionamentos das pessoas, seja de suas crenças, ideias, ideologias e filosofias. Categorizar nem sempre é adequado pra definir alguém, especialmente quando tais classificações são simplistas e limitadas.
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Mensagem por NadaSei em Sex 07 Fev 2020, 02:06

Um agnóstico pode acreditar apenas por fé em algum deus ou deuses, ao mesmo tempo em que admite não ter conhecimento sobre a existência do(s) mesmo(s), podendo ser teísta se acreditar nos conceitos de deuses como descritos por alguma religião, ou deísta se for algo diferente desses moldes.

Um agnóstico pode também através de experiência própria acreditar no sobrenatural, porém, sem poder prová-lo, já que é impossível provar uma experiência pessoal desse tipo

Exatamente, esse é justamente o meu caso enquanto agnóstico teísta. Alias eu vou um pouco além dessa definição e digo que é impossível saber se Deus existe, mesmo que o próprio Deus venha e apareça para você através de uma revelação.
Não é só provar para terceiros que é impossível, mas também a própria pessoa não tem nem nunca terá como saber se existe um Deus ainda que um realmente exista e se revele a ela.

Vamos supor que Deus apareça para mim hoje e "prove" que existe. Como eu sei que se trata realmente de um Deus e não algum outro tipo de ser se passando por Deus?
Uma raça alienígena hipotética com tecnologia suficientemente avançada poderia fingir ser Deus para humanos primitivos.
Caso tal entidade se revele a alguém, as possíveis explicações alternativas a hipótese Deus são infindáveis e infelizmente nenhuma é realmente verificável.

Da mesma forma que a hipótese do solipsismo é irrefutável, também seriam as explicações alternativas a hipótese Deus.

No caso de uma revelação divina a crença ainda seria necessária para escolher a hipótese Deus ao invés de qualquer outra hipótese, ainda que nesse caso a crença pudesse ser considerada um pouco mais racional e justificada, continuaria sendo uma forma de crença.


Última edição por NadaSei em Sex 07 Fev 2020, 02:12, editado 1 vez(es)
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Mensagem por NadaSei em Sex 07 Fev 2020, 02:11


Ignosticismo - Embora se questione a compatibilidade deste grupo com o agnosticismo ou ateísmo, há quem o considere como um grupo agnóstico. Esse grupo baseia-se no fato de que primeiramente é preciso definir Deus, para apenas posteriormente discutir sua existência. Para cada definição de Deus, pode haver uma discussão diferente e diferentes grupos de ateus, teístas e agnósticos referentes àquela definição particular. Um ignóstico diria "Não sei. O que você considera "Deus"?".

Essa categoria eu não conhecia. O agnóstico teísta Jordan Peterson parece se enquadrar nela.
Sempre que perguntam se ele acredita em Deus ele não consegue responder com clareza e pergunta justamente o que as pessoas querem dizer quando usam a palavra "Deus" e que a resposta depende de antes definir a palavra.
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Mensagem por Cinzu em Sex 07 Fev 2020, 07:12

NadaSei escreveu:
Exatamente, esse é justamente o meu caso enquanto agnóstico teísta. Alias eu vou um pouco além dessa definição e digo que é impossível saber se Deus existe, mesmo que o próprio Deus venha e apareça para você através de uma revelação.
Não é só provar para terceiros que é impossível, mas também a própria pessoa não tem nem nunca terá como saber se existe um Deus ainda que um realmente exista e se revele a ela.

Vamos supor que Deus apareça para mim hoje e "prove" que existe. Como eu sei que se trata realmente de um Deus e não algum outro tipo de ser se passando por Deus?
Uma raça alienígena hipotética com tecnologia suficientemente avançada poderia fingir ser Deus para humanos primitivos.
Caso tal entidade se revele a alguém, as possíveis explicações alternativas a hipótese Deus são infindáveis e infelizmente nenhuma é realmente verificável.

Da mesma forma que a hipótese do solipsismo é irrefutável, também seriam as explicações alternativas a hipótese Deus.

No caso de uma revelação divina a crença ainda seria necessária para escolher a hipótese Deus ao invés de qualquer outra hipótese, ainda que nesse caso a crença pudesse ser considerada um pouco mais racional e justificada, continuaria sendo uma forma de crença.

Essa se encaixaria à descrição do agnosticismo forte ali apresentada, embora eu não ache o termo "forte" adequado. Imagino que o termo esteja como forma de enfatizar o agnosticismo no sentido etimológico da palavra (a = negação; gnose = conhecimento), posição que vai de encontro com o reconhecimento da limitação da compreensão humana.

Como você bem pontuou, revelações podem ter explicações das mais variáveis, desde uma criação de nossa própria imaginação, a até mesmo uma manifestação de um fenômeno desconhecido por nós, que não necessariamente implicaria no deus-criador do universo. Porém, há de se considerar que, se Deus, como é descrito pela maioria das religiões, onipotente, de alguma forma se revelasse para nós, este poderia fazer de forma que não nos deixaria nenhuma dúvida.

A questão é que esse processo todo envolve muita imaginação e criatividade. Poderia-se levantar a possibilidade de seres extraterrestres ou até mesmo humanos do futuro viajando ao passado também serem capazes de nos manipularem de alguma forma, com uma lavagem cerebral, a ponto de nos inserirem em uma matriz, uma mera simulação computacional. Nesse cenário, começamos a esbarrar em ficções científicas*. Mas não seriam as religiões, também ficções?

São muitas perguntas para poucas respostas. E como bem dita a Navalha de Occam, quanto mais especulações e achismos inserimos em nossas conjecturas, mais elas se distanciam da realidade.

*As ficções científicas abordam essas questões metafísicas das mais diversas maneiras. Como o popular Matrix, que aborda a ideia da simulação computacional, ou mesmo o Guia do Mochileiro das Galáxias, que traz a existência humana em forma de sátira, como meros parasitas vivendo na superfície de um laboratório chamado Terra.

NadaSei escreveu:Essa categoria eu não conhecia. O agnóstico teísta Jordan Peterson parece se enquadrar nela.
Sempre que perguntam se ele acredita em Deus ele não consegue responder com clareza e pergunta justamente o que as pessoas querem dizer quando usam a palavra "Deus" e que a resposta depende de antes definir a palavra.

Eu encaro o ignosticismo não como uma forma de agnosticismo, mas como uma regra de ouro para o ceticismo. É realmente complexo discutir Deus quando sequer há consenso do significado da ideia Deus.
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Mensagem por Fernando Silva em Sex 07 Fev 2020, 07:24

O que é um deus? Como reconhecer um deus se um dia estivermos diante de um?

Que evidências exigir dele para sabermos se é mesmo um deus ou apenas uma criatura como nós, ainda que superpoderosa?

O que faremos se essa criatura tiver o poder de nos convencer de ela é um deus?
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Mensagem por JungF em Sex 14 Fev 2020, 15:50

Fernando Silva escreveu:O que é um deus? Como reconhecer um deus se um dia estivermos diante de um?

Que evidências exigir dele para sabermos se é mesmo um deus ou apenas uma criatura como nós, ainda que superpoderosa?

O que faremos se essa criatura tiver o poder de nos convencer de ela é um deus?

Quando se discute sobre a existência de Deus devemos partir de algum pressuposto e, posteriormente, a alternativa contrária.

Por exemplo, partindo-se do pressuposto de que Deus realmente existe, como imaginamos deva ele ser? Que atributos precisa possuir?
Ou seja, estaremos neste momento definindo o que é Deus.
Assim quando uma criatura se apresentar a nós afirmando ser Deus, deverá preencher as exigências por nós formuladas quando lhe definimos os atributos.

Mas diante da possibilidade de cada um de nós ter um conceito próprio de como deve ser o nosso Deus, como faria ele para atender a todos, e provar que realmente é Deus... pois não estará satisfazendo a todos.

Mas, e se atribuíssemos a ele certas qualidades genéricas desde que abrangessem, de forma geral, o que se entende por Deus?

Digamos:
Criador de tudo o que existe, visível e invisível.
Eterno, pois se não o fosse teria tido um princípio, algo o teria criado.
Imaterial, ou seja, não sujeito às contingências da matéria, e neste caso, invisível.
Perfeito em todos os atributos morais, como aqueles que regeriam uma sociedade perfeita: Justiça, Bondade, Sabedoria.

Acabamos de definir como deve ser Deus e daí talvez possamos reconhecê-lo, caso se apresente a nós, certo?

Mas, existindo tal ser, por que haveria ele de se apresentar a nós? Haveria tal necessidade?
Se nele acreditamos ou não, para ele isto não importa. Sendo justo, não nos condenaria apenas por isto.
E se acreditamos nele, também não nos premiaria apenas por isto, pois não é importante.
Será que teremos chegado à conclusão de que, se ele existe ou não, não faz diferença?

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Mensagem por Fernando Silva em Sex 14 Fev 2020, 16:23

JungF escreveu:Mas, e se atribuíssemos a ele certas qualidades genéricas desde que abrangessem, de forma geral, o que se entende por Deus?

Digamos:
Criador de tudo o que existe, visível e invisível.
Eterno, pois se não o fosse teria tido um princípio, algo o teria criado.
Imaterial, ou seja, não sujeito às contingências da matéria, e neste caso, invisível.
Perfeito em todos os atributos morais, como aqueles que regeriam uma sociedade perfeita: Justiça, Bondade, Sabedoria.

Acabamos de definir como deve ser Deus e daí talvez possamos reconhecê-lo, caso se apresente a nós, certo?
1. Talvez ele atenda àquilo que imaginamos ser as características divinas, mas quem disse que ele deveria atender às nossas expectativas? Talvez um deus seja algo que nem possamos imaginar.

2. Como ele vai provar essas coisas infinitas a seres finitos?

3. De que outro poder ele precisa além de ser capaz de nos convencer de que é um deus? Mesmo que não seja?
JungF escreveu:
Mas, existindo tal ser, por que haveria ele de se apresentar a nós? Haveria tal necessidade?
Por que eu deveria acreditar em deuses baseado apenas no que me dizem pessoas como eu?
Ainda por cima coisas contraditórias, confusas e absurdas?
Se houver um deus, vou esperar que se dirija diretamente a mim antes de fazer alguma coisa a respeito.
E, caso ele me apareça, nada garante que eu vá gostar do que ele me dirá.
JungF escreveu:Se nele acreditamos ou não, para ele isto não importa. Sendo justo, não nos condenaria apenas por isto.
E se acreditamos nele, também não nos premiaria apenas por isto, pois não é importante.
Será que teremos chegado à conclusão de que, se ele existe ou não, não faz diferença?
Você está supondo que os critérios de justiça e bondade de um deus seriam iguais aos nossos. Algo que poderíamos compreender.

Será que ficaríamos felizes com um destino horrível se esta for a vontade de algum deus e, portanto, a coisa certa?
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Mensagem por JungF em Sab 15 Fev 2020, 18:32

Fernando Silva escreveu:
JungF escreveu:Mas, e se atribuíssemos a ele certas qualidades genéricas desde que abrangessem, de forma geral, o que se entende por Deus?

Digamos:
Criador de tudo o que existe, visível e invisível.
Eterno, pois se não o fosse teria tido um princípio, algo o teria criado.
Imaterial, ou seja, não sujeito às contingências da matéria, e neste caso, invisível.
Perfeito em todos os atributos morais, como aqueles que regeriam uma sociedade perfeita: Justiça, Bondade, Sabedoria.

Acabamos de definir como deve ser Deus e daí talvez possamos reconhecê-lo, caso se apresente a nós, certo?
1. Talvez ele atenda àquilo que imaginamos ser as características divinas, mas quem disse que ele deveria atender às nossas expectativas? Talvez um deus seja algo que nem possamos imaginar.

2. Como ele vai provar essas coisas infinitas a seres finitos?

3. De que outro poder ele precisa além de ser capaz de nos convencer de que é um deus? Mesmo que não seja?

Partimos de uma especulação proposta, tipo, se Deus aparecesse para mim como o reconheceria?, então prosseguimos em cima disto. .
Imaginei os atributos daquela divindade segundo as quais nós a reconheceríamos.
Daí, você volta para a realidade e diz que não se pode como seres finitos que somos avaliar um ser infinito.
Não seria esta a razão pela qual não o podemos perceber?
JungF escreveu:
Mas, existindo tal ser, por que ele de se apresentaria a nós? Haveria tal necessidade?
Fernando Silva escreveu:Por que eu deveria acreditar em deuses baseado apenas no que me dizem pessoas como eu?
Ainda por cima coisas contraditórias, confusas e absurdas?
Não o que dizem pessoas como nós, mas segundo as exigências que relacionamos como imprescindíveis para reconhecê-lo.
Fernando Silva escreveu:
Se houver um deus, vou esperar que se dirija diretamente a mim antes de fazer alguma coisa a respeito.
Não entendi.
Fernando Silva escreveu:E, caso ele me apareça, nada garante que eu vá gostar do que ele me dirá.
Isto, dentro de um contexto cósmico, importa?
JungF escreveu:Se nele acreditamos ou não, para ele isto não é importante. Sendo justo, não nos condenaria apenas por isto.
E se acreditamos nele, também não nos premiaria apenas por isto, pois não é importante.
Será que teremos chegado à conclusão de que, se ele existe ou não, não faz diferença?
Fernando Silva escreveu:Você está supondo que os critérios de justiça e bondade de um deus seriam iguais aos nossos. Algo que poderíamos compreender.
Antecipando esta questão eu relacionei atributos que desejaríamos que esta entidade possuísse para que a reconhecêssemos como tal. E a bondade, sabedoria e justiça, conforme pregam e ensinam os Evangelhos e os filósofos seriam os parâmetros.
Aliás não entendo como argumento, dizer-se que aquelas virtudes que enaltecemos seriam diferentes para Deus.
O Bem seria o Mal, a Justiça seria Injustiça...?
Se somos criados por ele, teremos em nós os valores que ele imprime em nossa consciência... tal como ele desejaria que praticássemos.
Mas admito que com a evolução estes valores se aperfeiçoam, mas não mudam o sinal.

Fernando Silva escreveu:Será que ficaríamos felizes com um destino horrível se esta for a vontade de algum deus e, portanto, a coisa certa?
O pressuposto de um Criador bom, justo e sábio afasta esta possibilidade...
O sofrimento do homem advêm dele próprio... quem semeia vento colhe tempestade.
Deus não pune o inocente... a reencarnação ensina assim.

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Mensagem por Fernando Silva em Dom 16 Fev 2020, 08:20

JungF escreveu:
Partimos de uma especulação proposta, tipo, se Deus aparecesse para mim como o reconheceria?, então prosseguimos em cima disto. .
Imaginei os atributos daquela divindade segundo as quais nós a reconheceríamos.
Pois é, você imaginou. Criou um deus de acordo com sua infinitamente estreita percepção.
Um suposto deus não ficaria limitado a isto.
JungF escreveu:Daí, você volta para a realidade e diz que não se pode como seres finitos que somos avaliar um ser infinito.
Não podemos distinguir um super ET de um suposto deus. Ambos estão fora de nossa compreensão.
JungF escreveu:Não seria esta a razão pela qual não o podemos perceber?
Se ele quiser, com seus super poderes, se fará visível a nós. Caso exista.
Se ele não quiser, vou ignorá-lo (ignorá-la, ignorá-los).
JungF escreveu:
Mas, existindo tal ser, por que ele de se apresentaria a nós? Haveria tal necessidade?
Se ele tem algo a nos dizer ou exigir de nós, sim.
Não aceito recadinhos através de malucos.
JungF escreveu:
Fernando Silva escreveu:
Se houver um deus, vou esperar que se dirija diretamente a mim antes de fazer alguma coisa a respeito.
Não entendi.
Se houver um deus, vou ignorá-lo até que fale diretamente comigo.
JungF escreveu:
Fernando Silva escreveu:E, caso ele me apareça, nada garante que eu vá gostar do que ele me dirá.
Isto, dentro de um contexto cósmico, importa?
Importa a mim. E se eu não gostar do que esse deus me reservou após a morte?
JungF escreveu:
Fernando Silva escreveu:Você está supondo que os critérios de justiça e bondade de um deus seriam iguais aos nossos. Algo que poderíamos compreender.
Antecipando esta questão eu relacionei atributos que desejaríamos que esta entidade possuísse para que a reconhecêssemos como tal. E a bondade, sabedoria e justiça, conforme pregam e ensinam os Evangelhos e os filósofos seriam os parâmetros.
Aliás não entendo como argumento, dizer-se que aquelas virtudes que enaltecemos seriam diferentes para Deus.
O Bem seria o Mal, a Justiça seria Injustiça...?
"Atributos que desejaríamos"? Se houver um deus, por que ele se preocuparia em atender a nossos desejos se eles contrariam o que ele acha que é o certo?
JungF escreveu:
Se somos criados por ele, teremos em nós os valores que ele imprime em nossa consciência... tal como ele desejaria que praticássemos.
Você fala como se soubesse dos propósitos desse deus. Você está imaginando um deus à imagem e semelhança dos homens.
JungF escreveu:
Fernando Silva escreveu:Será que ficaríamos felizes com um destino horrível se esta for a vontade de algum deus e, portanto, a coisa certa?
O pressuposto de um Criador bom, justo e sábio afasta esta possibilidade...
Pois é, pressuposto. E dentro daquilo que nós consideramos bom e justo.
JungF escreveu:O sofrimento do homem advêm dele próprio... quem semeia vento colhe tempestade.
O que fizemos para merecer furacões, terremotos, secas, inundações, erupções vulcânicas, pestes etc.
Eu não fiz nada.
JungF escreveu:Deus não pune o inocente... a reencarnação ensina assim.
A hipótese da reencarnação é apenas uma tentativa de explicar por que o Universo é uma bosta.

A reencarnação pune os inocentes, sim, mas não vou entrar em detalhes porque existe um tópico para discutir espiritismo.
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Mensagem por Gorducho em Dom 16 Fev 2020, 10:04

Sr. JungF escreveu:teremos em nós os valores que ele imprime em nossa consciência... tal como ele desejaria que praticássemos.
Falácia – aliás foi o erro fundamental do Kant quando tentou e quase conseguiu (no m/entender foi quem + perto chegou...) solucionar a controvérsia.
Dê 1 olhada neste Teorias Ocidentais de Justiça e vai ver que o conceito é vago...
By the way: no nosso caso é + no sentido explícito de fairness ou senso "moral"; certo Question
Em terreno TÃO pantanoso não dá pra por aí estaca de sustentação pro Ente (🏰 metafísico) antes de chegar na rocha.
Idem "moral": varia conforme época + localização de cada agrupamento humano na 🌎
No

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Agnosticismo não é meio termo entre Ateísmo e Teísmo! Empty Re: Agnosticismo não é meio termo entre Ateísmo e Teísmo!

Mensagem por JungF em Seg 17 Fev 2020, 13:05

Gorducho escreveu:
Sr. JungF escreveu:teremos em nós os valores que ele imprime em nossa consciência... tal como ele desejaria que praticássemos.
Falácia – aliás foi o erro fundamental do Kant quando tentou e quase conseguiu (no m/entender foi quem + perto chegou...) solucionar a controvérsia.
Dê 1 olhada neste Teorias Ocidentais de Justiça e vai ver que o conceito é vago...
By the way: no nosso caso é + no sentido explícito de fairness ou senso "moral"; certo Question
Em terreno TÃO pantanoso não dá pra por aí estaca de sustentação pro Ente (🏰 metafísico) antes de chegar na rocha.
Idem "moral": varia conforme época + localização de cada agrupamento humano na 🌎
No
Sobre Moral e Justiça seremos tautológicos, em princípio, mas voltaremos ao objetivo.
As religiões definem moral e justiça como valores que não contrariem as Leis Divinas, sim, aquelas de Moises; mas calma... vamos explicar.
A história da humanidade é extremamente didática neste particular, pois surpreende o homem em duas fases que se contrapõem no quesito "organização social".
Conhecendo a história do império romano, um dos mais abrangentes do mundo antigo e aquele que mais influência exerceu na civilização moderna, surpreende-nos o fato de que a crueldade e a indiferença era a tônica do relacionamento do patriciado com a plebe, em Roma, mas também nas províncias conquistadas. -  veja a destruição da Judeia, por questão religiosa - Quero dizer que a opressão e o descaso para com os humildes era costume generalizado. Os mártires cristãos chocaram a indiferença e frieza do povo romano, com consequências inapreciáveis, até os dias atuais.

Daí, posteriormente, numa segunda fase da história, valores morais, religiosos e filosóficos - em parte - estruturam as Leis e melhor organizam a sociedade.
Claramente trata-se de uma evolução do comportamento humano. Mas a origem advém da crença religiosa - aliás, antes de Moisés, pois o decálogo não era tão original.
Então, Justiça e Moral, por mais que recebam aportes filosóficos resumem as regras do "bem proceder", social.
Desde há dois mil anos - era cristã - se foram consolidando as predicações da virtude e da moral, que molda as diversas culturas do planeta, conceitos provindos do Cristianismo, no ocidente com reflexos no oriente, e portanto de origem religiosa
Em última análise, se desejamos a paz e a felicidade dependemos da organização moral e legal da sociedade, mesmo admitindo o multiculturalismo; entendido como exceção da regra.
A conexão entre a justiça social, moral, etc provêm da similitude entre nossos conceitos de bem, mau, justiça ou não, com os mesmos conceitos divinos. Tudo a ver.

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Agnosticismo não é meio termo entre Ateísmo e Teísmo! Empty Re: Agnosticismo não é meio termo entre Ateísmo e Teísmo!

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